Gabi de 5 meses tem leucemia e precisa de remédio de R$ 28 mil.
Pais trocaram MG por SP pra tratamento.
Pais trocaram MG por SP pra tratamento.
A alegria dos pais pelo nascimento de Gabriela Silva em dezembro de 2014 foi transformada em garra na luta contra a Leucemia Linfóide Aguda, diagnosticada na filha em janeiro deste ano.
Gabi, como ficou conhecida em campanha pelas redes sociais, depende da solidariedade para que a saúde se normalize. Isso porque, mesmo tendo o irmão Gustavo Silva, de dois anos, como doador 100% compatível, ela precisa de três doses de um medicamento não regularizado no país para ajudar o transplante. O custo inicial para o tratamento indicado é de R$ 28.900.
Para piorar, um nódulo identificado na cabeça da menina, que ainda depende do resultado de biópsia, também é outro agravante para a realização do transplante.
Descoberta da doença
O pai da garota é funcionário de uma usina em Ituiutaba. Geliel Batista Gomes recorda que o diagnóstico da doença ocorreu um dia após consulta pediátrica para avaliação médica sobre um machucado no nariz e uma mancha na barriga. Dali em diante, a família se juntou para superar os empecilhos com fé na cura da criança, que segue internada no Instituto do Tratamento do Câncer Infantil (Itaci), em São Paulo.
“Apareceu um inchaço no nariz da Gabi com 28 dias de vida, era 21 de janeiro de 2015. Minha esposa ficou preocupada e comentou comigo. Marcamos a consulta em Ituiutaba e quando o médico estava atendendo percebeu que tinha uma mancha roxa na barriga dela. Minha esposa pediu para fazerem os exames da plaqueta e, no outro dia, às 17h, ficamos sabendo o resultado. No mesmo dia minha esposa já viajou com ela para Uberlândia para começar o tratamento no Hospital de Clínica da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU)”.
A família ficou em Uberlândia até 25 de março. Durante este período, Ana Paula da Silva conheceu outra mãe de uma garota diagnosticada com leucemia e, com a ajuda da mulher, conseguiu consulta no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Foi então que o pai da menina dirigiu 726 km de Ituiutaba a São Paulo na esperança de ver a cura da filha. “O médico se sensibilizou e nem cobrou a consulta de R$ 1 mil que o meu plano de saúde não cobria. Em seguida ele encaminhou a gente para o Itaci rapidinho. Sou grato a ele".
Compatibilidade e novos problemas
A esperança aumentou quando a família descobriu que o filho Gustavo é um doador 100% compatível para a irmã. Porém, a descoberta de um nódulo na cabeça da menina adiou a caminhada rumo à cura.
“Minha filha foi fazer o exame para o transplante que seria feito no dia 25 de maio, mas encontraram um nódulo na cabeça e tiveram que fazer cirurgia. Entretanto, ainda não temos o resultado da biópsia deste segundo problema. E por causa deste nódulo, que já foi retirado, não teve como fazer o transplante ainda”, contou Geliel.
A esperança aumentou quando a família descobriu que o filho Gustavo é um doador 100% compatível para a irmã. Porém, a descoberta de um nódulo na cabeça da menina adiou a caminhada rumo à cura.
“Minha filha foi fazer o exame para o transplante que seria feito no dia 25 de maio, mas encontraram um nódulo na cabeça e tiveram que fazer cirurgia. Entretanto, ainda não temos o resultado da biópsia deste segundo problema. E por causa deste nódulo, que já foi retirado, não teve como fazer o transplante ainda”, contou Geliel.
Somado a isso, Gabi necessita de doses de medicamento não regulamentado no país. Para a etapa que antecede o transplante, o custo inicial do remédio é de R$ 28.900. A família já arrecadou R$ 13.100 da quantia. Diante da impossibilidade de obter a receita médica na rede pública, o pai estuda recorrer à rede particular de saúde. Mesmo dispondo de plano de saúde, Geliel teme que os do tratamento aumentem.
“Ela já fez quimioterapia com vários tipos de remédios e agora precisa de um específico (Clofarabina). Se tudo correr bem, ela pode fazer o transplante em três semanas. Mas segundo os médicos pode mudar esse prazo. O que está complicando é que os médicos da rede pública não fornecem a receita porque o remédio não é regularizado no país. Vamos decidir nos próximos dias se tentaremos a receita na rede particular. Se meu plano não cobrir, vamos ter que arcar ou entrar na Justiça. Por enquanto, só sei que o tratamento é muito caro”, destacou.
Conforme súmula nº 102 da Lei de Planos de Saúde (Lei 9.656/98), editada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em caso de procedimento não constante do rol, é possível buscar o Poder Judiciário: "havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ASS)".
Novo endereço e solidariedade
A dona de casa Queila Borges é tia de Gabi. Ela contou que a ajuda das pessoas têm sido fundamental. O pai, a avó materna e o irmão de Gabi tiveram a sorte de, um mês após a chegada em SP, conseguirem um local para se hospedarem.
"Quando o meu irmão foi com o filho deles para a doação da medula, eles ficaram na casa de apoio. Pouco tempo depois uma mulher que mora em Ituiutaba e tem um apartamento em São Paulo passou a chave para eles terem um local para ficar enquanto estiverem lá. Pelo dato de o meu irmão trabalhar na mesma usina que o marido dessa mulher, acabou a conhecendo. O apartamento fica a 5 km do hospital, dá uns cinco minutos de carro”.
Geliel revela que a rotina ganhou novo ritmo. Enquanto ele faz o transporte dos familiares na metrópole, a esposa acompanha a filha. A ída de Ana Paula (mãe) para o apartamento emprestado para a família ocorre no início da tarde, quando revesa com a avó de Gabi a permanência na instituição de saúde. O filho Gustavo acompanha a nova vida da família e reconhece o papel importante que pode ter na vida da irmã.
“Cheguei dia 5 de maio em São Paulo com o meu filho para tentar o transplante. Minha sogra veio comigo e faz almoço, daí eu busco minha esposa e levo minha sogra para ficar com minha filha. Depois minha esposa volta para o hospital e dorme lá. Meu filho também veio e está acostumando, mas reclama de saudade da minha esposa e repete o tempo todo que vai curar a Gabi. Temos uma amiga que ajuda a distrair ele um pouco”.
“Todos pro Gabi”
A tia de Gabi é quem toma conta da vida que os pais da menina deixaram em Ituiutaba. Em meio à nova rotina, ela ainda acha tempo para manter os mais de oito mil seguidores da página "Todos por Gabi" com informações sobre o estado de saúde da sobrinha. “Eu estou vivendo a vida deles aqui em Ituiutaba. Eles largaram tudo aqui e eu estou tomando conta para eles. Já são quatro meses lutando. Minha filha que fez a página e não pode ficar com celular no serviço, eu que tomo conta. Não dou conta de responder todos. Posto o que está acontecendo para que todo mundo acompanhe”.
Fé
Com a esperança reforçada em família, a cada avanço no tratamento da filha, o pai se emociona ao falar sobre o maior desejo. “Eu tenho muita fé e falo pra minha esposa ser assim também. Os médicos ficam abismados porque a Gabi está sempre sorrindo e alegre, nem parece que está doente. Ela já é muito guerreira e eu tenho fé de que ela vencerá essa batalha. Na minha cabeça só passa que vou poder levá-la nos braços com saúde para nossa casa”.
Fotos: Foto: Queila Gomes
Fonte: G1
Nenhum comentário:
Postar um comentário